A MELANCOLIA FANTASMAGÓRICA DE “TRAMA FANTASMA”

 

Sobre “Trama fantasma”, e respondendo à interpretação de Juliana Pontes, na buscan por hipóteses para se saber do porquê da palavra “fantasma” no título do filme, lembrei aqui do livro do Agamben, “Estâncias: a palavra e o fantasma na cultura ocidental”, que saiu pela UFMG, no Brasil.

Nessa obra Agamben pode oferecer uma possibilidade de leitura do filme ao relacionar luto, melancolia e o tema da fantasmagoria. Basta que se lembre do personagem Woodcock como sendo a figura melancólica da gravura de Durer. Mas em vez de régua e compasso do geômetra, que tenta adequar as representações ideais ao concreto, Woodcock usa agulha e fita métrica.

“Fantasma” é a trama de amor de Woodcock, típico dos melancólicos, que, como explica Agamben, possuem a fantasia infantil (e neurótica) de achar que “só se pode possuir o que está perdido”, pois seu prazer está sempre nesta ambiguidade, do espectro da perfeição irrealizável, mas que mantém aceso o desejo, a vida contra a morte, mantendo a bílis negra que lhe resta enquanto vive.

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“Maria Madalena” e o Reino que vem

 

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“Maria Madalena” (2018) é a minha aposta para o Oscar do ano que vem. Rooney Mara e o Joaquin Phoenix me emocionaram durante todo o filme. Sim, é um acerto de contas com a figura das mulheres e também com os seguidores negros de Jesus, quanto ao imaginário nosso.

Mas para além disto, o filme é uma beleza de interpretação e construção narrativa. As imagens da Judeia, do Templo, os milagres… Tudo feito de modo muito belo, acompanhado de uma trilha muito digna. Enfim, fiquei muito emocionado.

Há uma temática muito evidente no filme que me chamou a atenção. Não é nenhuma novidade em filmes sobre a Paixão, mas nesse o tema do messianismo e da revolução me pareceu muito bem retratado. A teologia politica da Paixão cristã se faz na oposição entre reforma x revolução, utopia x niilismo (me refiro a um tipo de niilismo específico, ao da negação da Terra, via certo ceticismo quanto à transformação do mundo).

Lembrando que esta temática tem de fundo a antiga oposição(?) entre ser x logos, ou seja, entre aquilo que se manifesta, revela-se, versus aquilo que é do mistério, do incompreendido pela nossa linguagem. Talvez isso se dê porque o filme com R. Mara e J. Phoenix esteja jogando com os símbolos tradicionais do feminino x masculino.