Filme “Mãe”: teologia do feminino, à beira do apocalipse

Acabei de sair da sessão de “Mãe”… Pena que tive que assisti-lo com as risadas, gargalhadas altas das pessoas ao meu redor. Atrapalhou um pouco minha concentração. Mas, não. Não tinha nada de cômico no filme. Ao contrário. É um filme forte. Teológico. Sobre aliança, história da fé humana, sua crueldade, seu jeito estranho de amar e de odiar.

Só que há uma boa parte do público que não resiste ao chiste. Ao riso fácil. Antes achava que isso servia pra esconder a dificuldade de compreensão do filme. Mas isso é meu preconceito, minha soberba de quem se acha entendedor de cinema. A verdade é que este riso vem justamente da compreensão total do que se vê: da dor e do horror humanos. Então se ri. Tudo bem. Deve ser mais fácil fugir pro riso que esconde a angústia.

Eu não consegui rir porque me assustei. Vi o apocalispe batendo na porta — estamos mais pertos do que nunca de uma guerra nuclear neste ano. Vi o fanatismo religioso. Vi caim e abel lutando pelo amor do pai primevo. Vi um cristo-bebê e a revolta de sua mãe contra a humanidade que comunga seu corpo, seu sangue para se salvar. Por egoísmo.

Mas vi também a reecriação, uma nova aliança, o recomeço pelo perdão do pai do bebê-cristo. Mas um recomeço à custa da natureza-casa-mãe-floresta-inconsciente… À custa das cinzas do esquecimento, do sacrifício da mãe. Daquela que sente as dores do parto e que é injustamente condenada por tudo. De Jocasta à Maria (Janete).

É um filme interesante. Achei um dos melhores que já vi nos últimos tempos. Mas se você não achar isto, se você rir, eu vou entender. Eu queria ter rido também.

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