Resenha do filme “Silêncio”, de M. Scorcese

Silêncio-2016

 

“Silêncio” é um bom filme. O diálogo entre um budista e o padre jesuíta foi uma das cenas de conteúdo teológico mais profundas que já vi. Como se o Oriente, gnóstico aos nossos olhos ocidentais, estivesse colocando em xeque o Ocidente cristão. Mas o filme é sobre outro xeque. Sobre o quanto suportamos o silêncio Dele nesta vida miserável. E sobre o quanto nossa fé se sustenta neste silêncio ensurdecedor. A fé indestrutível, incorruptível e intorrturável, dos japoneses católicos em uma vida sem sofrimento, exploração e doenças, é de arrasar. Mas o filme tem muitos problemas. Longo demais. Repetitivo demais. Os jesuítas são retratados como sendo pacíficos demais. Parecem um pouco diferentes da ousadia dos jesuítas no Novo Mundo em prol da conversão e da educação. Às vezes parecia mais um filme de prisioneiros da II Guerra ou do Vietnã (ex.: Império do Sol e O sobrevivente). E o interesse político da Igreja sobre o Japão é deixado um pouco em segundo plano. Por outro lado, mostra-se a hipocrisia do Império nipônico para com o Ocidente. O ponto central é a pobreza extrema dos camponeses japoneses e uma questão teológico-política: talvez o paraíso não seja uma questão de “onde”, mas de “quando”, e se for assim, antes ou depois da morte, ele seria possível?

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